segunda-feira, 19 de março de 2012

Beats na tela grande e o filme que o cinema esqueceu.

Aproveitando a postagem anterior...
Está para chegar aos cinemas - mas não sem antes circular pelos principais festivais do mundo - a aguardadíssima adaptação do romance de Jack Kerouac On the road. A grande obra da geração beatnik já vem celebrada antes mesmo de seu lançamento: com direção do grande cineasta brasileiro Walter Salles e um elenco fantástico (entre os quais Viggo Mortensen, o que eu mais quero ver, na pele do alter-ego do escritor William Burroughs).

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Em função do recente hype em torno da obra, visto que a "geração-Crepúsculo" já vai atrás loucamente em função da presença de sua musa, Kristen Stewart, no filme de Walter Salles, andam aparecendo novas publicações de Kerouac por aí: a L&PM continua soltando seu acervo, enquanto a Devir lança uma biografia em quadrinhos do autor. Dessa leva recente, a L&PM já publicou há algum tempo o "manuscrito original" de On the road, livre das supressões de nomes e uso de pseudônimos que o autor acabou usando em seu livro, afinal, On the road é um testemunho de uma geração e, de certa maneira, parte da própria história da cultura e da literatura beat. O romance de Kerouac, entretanto, para todos efeitos, é literatura - e da melhor qualidade; é ficção - pelo menos a princípio; é contrução de personagem - mesmo que seja fato que os escritores beats sabiam ser, realmente, ótimos personagens na vida real, por assim dizer (Kerouak sabia e fez disso o livro de uma geração, de várias gerações).
Mas a questão é que se On the road não é uma biografia, contudo (ainda que saibamos que tenha conteúdo autobiográfico), e sua adaptação certamente ocasionará uma retomada de sua leitura, outra obra recente do cinema também joga luzes sobre a geração beatnik, só que esta, porém, está inédita no Brasil - para nosso desespero: Howl conta a história da grande polêmica em torno do lançamento do poema "O Uivo", do outro grande "pai" da cultura beat, Allen Ginsberg - e que, na verdade, é quem realmente manteve o legado dessa geração durante os anos posteriores (servindo de grande referência para Bob Dylan, por exemplo). No final das contas, fiz esta postagem só para chegar aqui: tomara que On the road proporcione, também, a boa vontade de alguma distribuidora para lançar Howl no Brasil. Este não tem Kristen Stewart, mas tem James Franco, que parece estar ótimo como o jovem Ginsberg.

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